Quando tinha meus 12 anos, sonhava com alguém que gostasse de mim (e, naturalmente, eu também gostasse desse alguém), que nosso primeiro encontro fosse mágico e que daria origem a um futuro perfeito. Só que, com o passar dos anos, fui freqüentando lugares “teens” e vi que não é bem assim que funciona o jogo da vida, de forma impecável – muito pelo contrário. Também não há escapatória como ao escrever uma redação de vestibular, que fazemos o borrão e depois passamos a limpo – tudo (eu disse tudo) que somos hoje, devemos ao nosso passado.
Beijos vieram, beijos se foram e eu aprendi que se beija sim apenas por simples vontade ou até mesmo por tédio, ou quem sabe por pena. Faz-se até mais além do beijo. Aprendi que as pessoas não têm total culpa do que se tornam – às vezes, seu passado influencia de uma maneira quase irreversível. Basta ler “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, para que entenda isso. A lição é passada de uma maneira simples e completa, é genial.
É, desiste de viver quem não tem forças (para isso temos o velho ditado: “a vida é dura para quem é mole”) e quem não controla seus sentimentos tende a se afrontar à vida, dando murro em parede (lei da ação e reação, simples assim). Já passei pelos dois casos, até chegar aonde cheguei (falando assim até parece, mas não é que eu tenha chegado no topo - quem chega? - ou que não tenha pequenas recaídas – a vida é um eterno aprendizado) e posso dizer que grande parte do que me tornei como pessoa devo ao Aikido, arte marcial da minha vida (na verdade é bem mais que isso, mas é tudo o que digo por hoje).
O fato é: até onde devemos julgar as pessoas? Até onde elas são o que são por querer? Não acredito que uma pessoa goste de sofrer enquanto sabe que pode mudar – quem vê a oportunidade de mudar, muda. Mas não basta a oportunidade estar na frente das pessoas (porque ela sempre está), ela tem que, de fato, tocar nos seus corações, pois, se não toca, não se vê nada a sua frente. Ninguém muda às cegas ou tomando a visão do outro emprestada.
A humanidade tem, portanto, encarado a vida como uma criança com baixo desempenho escolar (proveniente não só do ambiente escolar, mas também dos pais, vale ressaltar) encara os estudos: preguiçosa e desinteressadamente, fugindo, ignorando ou fazendo o mínimo exigido e de qualquer jeito. A verdade é que poucos pensam que são suas atitudes que provocam o “sofrimento de viver”. Ora, as coisas têm o sabor que as damos. Voltando ao exemplo da criança: se ela tende a ter mais facilidade com português do que com matemática, provavelmente é porque ela se identifica mais com o método de ensino do seu professor da língua portuguesa ou, simplesmente, de uma forma ou de outra, se concentrou mais ao estudar o português. Ou seja: aquilo que desgostamos é geralmente desconhecido para nós. Meu pai costumava a dizer: “estude mais a matéria que você não gosta”... Hoje eu o entendo, ele queria que eu estudasse até o ponto de passar a gostar da tal matéria (que, sinceramente, nem me recordo qual era, na época). Isso porque existem dificuldades que não podemos evitar de sofrer, elas simplesmente existem e devemos dominá-las, ao invés de deixar que elas nos domine e que nos cause mais sofrimento.
Não podemos agir às cegas, fazendo burradas por fazer. Devemos fazer cada gesto nosso valer a pena. Como muitos jovens iniciantes nos points teens, eu tive grandes dúvidas em relação ao amor quando passei a freqüentar esses lugares, mas hoje eu entendo (embora não aceite) muitos comportamentos cometidos pelas pessoas, como, por exemplo, o fato de que quem ama pode trair – isso acontece por falta de maturidade. E é por causa desse estilo de vida "deixa a vida me levar" que discorri ao longo do texto, que muitos relacionamentos, em geral, não dão certo: como conseqüência, o mundo está cada vez mais intolerante, e isso é horrível. O objeto material está tomando o valor do homem – as pessoas preferem amar as coisas e usar as pessoas por achar menos complicado, afinal, as coisas não nos decepcionam, não é? Está tudo invertido! E haja dor nos corações dos medrosos que têm essa filosofia como escape, dos que acabam aderindo à massa por medo de sofrer, como se desacreditar no amor e, vale adicionar, no respeito não fosse um sofrimento por si só. É preciso mudar o pensamento geral, fazer uma grande mudança espíritual e vestir um estilo de vida com mentalidade menos perturbada, mais feliz e saudável. Enquanto isso não acontece (se é que isso virá a acontecer um dia com a maioria da população), cada um que cuide de si e salve-se quem puder ou quiser salvar ou ser salvo, um por um, não é?
3 comentários:
Olá moça!!Eu sou a irmã da Carla Tainá
Ate´que enfim achei seu blog.!
=D
Pois é, hoje o que mais nos falta é a vontade de agir em meio a inércia , por isso acabamos nos acomodamos com a definição de amor alheia, sem que a gente consiga buscar as nossas próprias experiências, só assim poderemos entender por nós mesmos .
Mas me diz aí, eu sou nova em matéria de blog, e ainda não conseguir achar onde é que eu te add como favoritos.
Bjão!
Gostaria de poder dizer que comigo foi dessa forma, mas foi muuuito mais tarde do que o normal e bem fora do
convencional também... Até um certo ponto da vida (pra não dizer que não faz tanto tempo assim) minha maior
preocupação era achar que pensasse como eu. Se fosse um homem, seríamos amigos, se fosse mulher, melhor ainda,
seríamos namorados e casaríamos. A idéia que eu tinha da cabeça era como se nós andássemos em direção ao horizonte
juntos enquanto todos os outros apenas olhavam enquando eu havia descoberto. Viver não é como uma redação,
realmente. Mas uma das descobertas mais interessantes que eu fiz foi que coisas ruins podem levar a coisas boas no
futuro. Imagino se esse seja o tal "Plano de Deus". Inclusive, conhecer você foi um desses inúmeros momentos que
provavelmente nasceram de revézes na vida.
As pessoas não só não têm culpa do que se tornam como também jamais se livram dessa influência. Darwin explicou isso
na teoria das espécies. Acredite se quiser, ele é o cientista que eu mais respeito. Mais até do que Einstein e
Newton. Eu disse tudo isso porque até mesmo os motivos de nós beijarmos esse ou aquele pode ser explicado pela sua
teoria. O passado influencia as pessoas de forma irreversível, e não quase. Exemplo: Um alcóolatra ficou assim
porque bebia demais. Passado que justifica o fato. E mesmo se ele largar a bebida, haverá algo no passado dele(entre
o começo e o fim do alcoolismo) que vai provocar a nova escolha. Mais uma vez, passado que justifica o fato.
“a vida é dura para quem é mole”? Com certeza. Uma das coisas as quais eu agradeço hoje é a de ter ficado pobre
antes de ter ficado besta. Pra que eu tivesse condição de aprender essa verdade na prática. As pessoas geralmente
usam a religião do jeito que você usa o Aikido. É da natureza humana se apegar a algo mais forte nos momentos de
ficuldade e até mesmo extrair boas lições.
No começo de nossa amizade, eu gostava muito do fato de que você jamais me julgaria. Hoje, eu faço questão de ser
julgado por você, ter que levar em conta a sua opinião. Baseado nisso, eu acredito que podemos julgar as pessoas
conforme somos íntimos delas. Porque eu posso dizer sem medo à Rafael que ele é um ser sem imaginação e maria-vai-
com-as-outras? Porque nossa intimidade como irmãos me permite fazer tal julgamento. Da mesma forma que ele me diz
que é doentio eu gostar de "Gravitation", Visual Kei e outras coisas...
Algumas pessoas não mudam mesmo com oportunidade, mas nenhuma sofre porque quer. Mais uma vez eu falo de Darwin. Ele
contava de um escravo que acompanhava ele nas Ilhas Galápagos e, quando acidentalmente deixou a bagagem cair no mar,
prostrou-se e esperou o castigo. Por que diabos ele não fugiu quando teve a chance? E foi assim que Darwin descobriu
que "Velhos hábitos nunca mudam". O escravo simplesmente era um homem adestrado.
A humanidade sempre encarou a vida dessa forma. O mais incrível é que nem todas as exceções foram pessoas vitoriosas
na vida (ou foram e a história não lhes prestou justiça). Sobre o que não gostamos, um agravante: Se não conhecemos
o que não gostamos, e tememos o que não conhecemos então tememos quem não gostamos. E, pelo medo que nossos
desgostos nos causam, o círculo vicioso de violência e maldade se forma.
Como muitos jovens iniciantes nos points teens, eu tive grandes dúvidas em relação ao amor quando passei a
freqüentá-los, mas hoje eu entendo (embora não aceite) muitos comportamentos cometidos pelas pessoas, como, por
exemplo, o fato de que quem ama pode trair – isso acontece por falta de maturidade.
As dúvidas em relação ao amor sempre vão existir... A diferença é justamente a dúvida. À medida em que crescemos e
amadurecemos, elas vão mudando, e é isso que faz do amor algo interessante. O mistério.
Sobre o parágrafo das coisas eu não vou dizer nada... Eu devo ser o maior materialista de todos. Mesmo que no meu
caso seja apenas por que "foi difícil conseguir essa coisa e não quero perdê-la tão cedo", hehe...
Também te amo, maninha =DD Se você me ver feliz, lembre-se: é por sua causa. Se me ver triste, preocupe-se, pois nem
mesmo você está conseguindo me animar, pois se eu sou um homem melhor hoje, é por sua causa =DD
=********************
PS: não postei mais cedo pq tão consertando o ar-condicionado da sala e eu tive que sair ^^
=P
definitivamente... vc tem saco.
Parabéns! ;)
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