sexta-feira, 2 de maio de 2008

Por que é tão complicado ser feliz?

Assisti dia desses o filme “À Procura da Felicidade” e a primeira idéia que me veio em mente foi que, na verdade, ele deveria se chamar “À Procura da Estabilidade Financeira”, pois a felicidade já está na alma de Chris Gardner (Will Smith) e de Christopher (Jaden Smith), que são os personagens principais. Há uma a contradição que, para mim, o autor gera ao ignorar que a felicidade está em nós mesmos, em nossa alma, em nosso espírito e que isso reflete em nosso comportamento, já que ele desconsidera essas questões quando não as incluem nos requisitos da Felicidade, que é o que, segundo o título, falta aos personagens. Mas nem por isso deixa de ser um excelente filme: é mostrado muito bem como devemos lidar diante das aflições. Por dar muita manga às situações dramáticas, a mensagem que o autor quis passar parece ser a de que mesmo sofrendo financeiramente, mantendo o esforço e a honestidade conseguiremos superar o sufoco. É válida, porém, na minha opinião, bem menos profunda.

Comecei este post falando desse filme porque ele me inspirou a discutir esse tema. Com todo o sofrimento, pai e filho procuravam se entender, situação que pouco existe no mundo. Cada um de nós está preso aos problemas e acaba esquecendo os bons sentimentos (gratidão, amizade, enfim, amor) que deve-se cultivar para o próximo, pois essas atitudes tendem a voltar-se para nós. É verdade que a vida não dá mole para ninguém, mas, se retribuirmos sua dureza, daremos murro na parede... Creio que isso não seja o mais sábio a se fazer. Pois é, pode não parecer, mas o amor cura tudo. Ao contrário do que dizem, ele não é o “ponto fraco” do homem e sim sua fortaleza espiritual: estando munido dele, ninguém poderá machucá-lo.

Lógico que sua opinião pode variar de acordo com o seu conceito de amor. Não falo de qualquer um, mas do amor mais puro, aquele de ensinamentos de Jesus (hey, não pare por aqui! O que falarei a seguir é independentemente de crenças, dele ter sido ou não quem a história diz que foi, ok? Até porque não tenho religião), que tanto custei a entender... tem um que é algo como: “se te baterem na cara, vire o outro lado”. Pode parecer estúpido, mas, definitivamente, não é. Fiquei pensando há um tempo e acabei associando isso a um acontecimento que ouvi naquelas conversas de família: há algumas décadas atrás *lol*, minha avó costumava bater em seus filhos, mas quem se cansava e parecia que havia levado uma surra era ela mesma. Na hora me perguntei o porquê disso e depois, juntamente a outros detalhes a respeito dos atores da história, acabei concluindo que seria porque ela estava com maus sentimentos em seu peito e liberava tudo aquilo nas crianças; essas estavam tão acostumadas que não se doíam com suas surras. Ou seja, se você está bem por dentro, não é a dor física que te deixará realmente mal (a não ser que seja extrema, né? Olha o bom senso! rs). Eles a amavam e o que ela fazia não mudava isso.

Enfim, além dos pensamentos infelizes de muitos de que o dinheiro é a mola do mundo e as doenças da alma são frescuras, outro é o de que para se conseguir ter uma vida sadia tem que haver sacrifício. Por exemplo, o estudo e o trabalho é imposto como um castigo. Por isso, quase ninguém estuda e muito menos trabalha por prazer. Isso porque as pessoas, no geral, não buscam outros sentidos nas suas atitudes além daqueles que a sociedade moralizadora determina. É ela que, calcada de preconceitos, transforma a vida nessa zona de angústias e frustrações. Bom seria se as pessoas tivessem mais caráter, se fossem mais moralistas e menos moralizadoras, respeitassem o espaço alheio... Esses estúpros de liberdades diminuiriam e enfim, se respiraria melhor.

Um dos reflexos dos perpetuadores disso são os pais. Cá entre nós, o que tem de pai mal-sucedido espiritualmente por ai não está no gibi. Estão cada vez mais frustrados com suas vidas modernas, e acabam impondo a quem puderem (ou seja, na maioria das vezes, sobra para os filhos), em maior ou menor escala, seu sonho que não foi alcançado. O problema é que suas frustrações foram geradas por suas próprias más escolhas passadas e que, de forma alguma, poderão ser consertadas noutras vidas. Então, sem perceber, eles acabam tornando o rumo dos filhos igualmente frustrante... E geram um ciclo vicioso, que transforma a vida numa penitência. Pra quem tem fé, uma crença religiosa (cega), até que dá para suportar viver dessa forma, sendo por um bem maior, que é sua fé no salvador, ou seja lá em quem... Mas e quem não tem? Por que terá que suportar tamanha angústia?

Creio que não há outra maneira de se atingir a felicidade sem perder a consciência (os religiosos acéfalos que me perdoem, rs), se não for descobrindo a paz espiritual, o amor puro, ou seja, a fortaleza. Daí em diante, nosso caminho é traçado pela vida, pois já se tem uma base, um chão. Quando conseguimos isso, ficamos felizes com a vida e conosco e ficamos invulneráveis, ninguém poderá mudar tal sentimento – ao contrário, somos nós quem procuraremos mudar os maus sentimentos dos demais (obviamente, sem ser do modo moralizador), procurando ajudá-los.

2 comentários:

Alexandre Amorim disse...

*Espantado com a profundidade-ainda-maior-que-de-costume-das-suas-palavras*

*comentando em ordem de parágrafo*

O filme “À Procura da Felicidade”, na verdade, deveria se chamar “À Procura da Estabilidade Financeira”?

Verdade, afinal dinheiro não compra felicidade, mas ajuda pra caralho, hehe... Brincadeiras a parte, sobre a felicidade estar dentro de nós, o filme não precisa ser claro a respeito disso justamente porque é um filme sobre perseverança e "cabeça fria no momento de dificuldades". Algo mais ia deixar o filme pesado.

Eu não vou mentir, eu não me lembrava muito de Jesus ou de dar a outra face quando levava um murro ou apanhava em casa... Mas eu sei que muitas vezes quando você bate, é você o fraco e é você quem, de fato, apanha. Eu imagino de era isso que Jesus queria dizer ^^

A vida sadia, em todos os sentidos, sempre foi sinonimo de sacrifício e de renuncia. Quando você inicia uma carreira, quando você resolve gazear uma aula, quando você decide começar a fazer alguma atividade extracurricular.
Como diria Morpheus no Matrix Reloaded: "Tudo começa com uma escolha". Inclusive renunciar ou não em nome de uma vida sadia.

Na condição de filho de um homem que não conseguiu o que quis e tomou essa obrigação pra si, e cuja fé está longe de ser convencional, eu respondo: Com otimismo. Com pensamentos positivos. Tá longe de ser uma resposta convincente, ou mesmo aceitável, mas eu não sei como explicar o por que de eu não querer desistir de ser feliz mesmo com um fardo como o meu e mesmo sem acreditar em Deus da forma que a maioria acredita.

Eu era um moralizador, aliás... Mas graças a você eu vi a hipocrisia que eu tinha e aos poucos tentei mudar... Não digo que consegui, até porque ainda tenho essa estranha mania de corrigir as pessoas e contar graaaaandes histórias na hora de expressar meu ponto de vista, hehe...

=****

Mila Andrade disse...

Eu prometo que vou ler tudo isso quando eu puder. *.*

TE AMO