sábado, 26 de julho de 2008

Um aprendizado para ser compartilhado...


Ontem assisti o filme Beleza Americana de novo... A primeira vez foi numa época muito conturbada, época essa que não lembro de muita coisa, MUITA mesmo. Inclusive, de um filme tão bom... Eu não lembrei nem o que tinha pensado dele. Estava realmente a caminho da loucura, então não me espantaria se sequer não o tivesse entendido.

Bom, o que me chamou mais atenção foi esse casal... Pareceu-me o modelo "perfeito" de relacionamento e fez-me ver como tenho sido "tolerância zero" (talvez eu tenha me "achado" muito para chegar a tanto). O jeito de Ricky é atraente aos olhos de Jane e mesmo depois de ele se tornar amigo do seu pai, pessoa detestável, ela não o descarta. Não que eu, no lugar dela, acabasse descartando... Mas ficaria pensando coisas como: "Por que Ricky gosta do meu pai? Ele é horrível, ridículo, eu jamais me aproximaria e blablabla", ou até mesmo: "Meu pai me faz mal e Ricky ainda assim é amigo dele, logo, ele não liga pra mim, tanto faz quem me faz mal!", e não o deixaria livre até que ele, no mínimo, me desse uma explicação convincente para que eu aceitasse tal relacionamento (o dele com o meu pai, no caso). No filme, a gente vê que os motivos que faz Jane desgostar do pai são os em relação à ausência do seu comportamento de pai, mas nada tão grave, logo, não teria sentido se Ricky o julgasse por esse mesmo motivo, certo? Sim... Afinal, ele já tem outro pai para desgostar e Jane também não toma as dores de Ricky totalmente para si. Assim é a vida. E isso não é egoísmo, é individualidade.

E eis a prova de que um relacionamento não enxe vazio de ninguém: quem não tem estrutura, não sabe amar. Nunca aparecerá o "companheiro ideal" ou "a pessoa que o vê neste mundo", já que grande parte das pessoas que se sentem solitárias e buscam desesperadamente um companheiro, na verdade, querem é registrar sua vivência no mundo e, para isso, precisam dormir e acordar todo dia sabendo que alguém está preocupado com o que ela pensa, sente e faz durante 24 horas. Não podemos nos relacionar com "anjos da guarda", os céus não permitiriam. Isto é, se é que eles existem realmente.

Tem um comentário de Contardo Calligaris sobre esse filme, que diz que fazer um enredo criticando estilos de vida é fácil, difícil é mostrar o estilo de vida "certo" ou "ideal"... Ele não está errado, mas não acho o filme ruim por isso, muito pelo contrário: abre portas para mudanças em muitas pessoas, como para mim, em muitos sentidos (o desse casal foi apenas um dos). Talvez não seja possível mostrar o estilo de vida perfeito, justamente porque ele não existe... Mas sabendo dos erros cometidos por nós mesmos e pelo próximo e evitando a repetição deles, talvez nós possamos evitar esses erros, ainda que erremos de todo jeito, mas será de maneiras diferentes, ou, por que não? Acertarmos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Parte de nada.

Hoje voltei da minha aula do Aikido pensando nuns acontecimentos um pouco recentes, que foram vindo mais e mais pra perto do presente. Descobri que deve ter algo errado comigo. Eu não consigo pertencer a meio algum... Sempre fujo, sempre desaponto, às vezes porque me sufoco ou porque enjôo; sinto saudades e repudio ao mesmo tempo.

Fiquei pensando no que poderia me causar isso... necessitade de preservar minha individualidade? Mas por que eu a sentiria escapar de minhas mãos por simplesmente estar num meio onde cada um tem sua individualidade também? Hm... Seria então uma sensação de estar me bitolando? O mundo inteiro seria cansativo pra mim se eu o pudesse explorar? Não sei, talvez seja essa questão que minha alma peça, inquieta, por resposta... Mas eu não posso fazer essa busca. Porque não tenho condições financeiras? Bom, acho que isso não é desculpa, prefiro dizer que é porque não tenho coragem o suficiente.

De qualquer maneira, ao mesmo tempo em que não faço parte de algo por meu íntimo me levar a repelir esse "algo" quando estou prestes a fazer parte, sinto necessidade de ser aceitada, amada, lembrada... Sinto necessidade de compartilhar momentos com pessoas importantes pra mim, que também me ache importante pra elas. Mas quem vai achar uma estranha importante? Eu acho estranhos muito importantes... tem algo errado comigo? Será que, na realidade, eu tenho medo é de fazer parte de algo e uso essa de 'não consigo' pra fugir desse medo? Mas se eu realmente não consigo... Meio que até não quero... Mas eu quero... E agora? Como posso resolver esses sentimentos? Não sei... Ainda não sei, talvez mais tarde eu descubra, talvez não. Talvez eles nem possam ser resolvidos, pois são só rumos diferentes que se toma na vida e eu sou puxada e igualmente repelida pelos dois, então preciso escolher a dor que terei que levar.

É, porque escolher pelo lado bom é mais complicado. É ótimo ser lembrada, amada etc... e é ótimo explorar o mundo (nunca o fiz, mas eu SEI que é, assim como sei que ter uma banda é o máximo, principalmente quando ela faz sucesso mundial - oh, isso tem a ver com explorar o mundo, não?). Mas é horrível a sensação de solidão que dá, assim como a monotonia de uma vida estável. Pensando bem, talvez escolher pelo lado ruim também seja terrível.

Que confusão!


Isso me lembrou de umas palavras do psicanalista Contardo Calligaris:
"O que me interessa é a vida, é a intensidade das experiências, boas e ruins. Se tiver que curtir uma dor porque morreu meu pai, ou meu cachorro, ou me separei de alguém que eu amava, é para chorar mesmo, e chorar é legal, faz parte de sentir a experiência."

Vendo por esse lado, talvez esses meus sentimentos possam se harmonizar. Contardo é casado e aventureiro. Ele é amado, lembrado e não tem fronteiras. Hm... interessante. A escritora Mayra Dias Gomes é outro exemplo, embora eu sei que às vezes ela se sente só e abandonada pelo mundo, se sente... Pequena. Acho que é tudo questão de mentalidade. Afinal, se Contardo faz isso real, então é. Mas isso tudo parece tão longe de mim...