Finalmente estou escrevendo aqui denovo. Tenho andado sem muita paciência pra isso, sem falar que o fato de eu ter menos tempo do que gostaria no pc ajuda.
Como tinha prometido a um amigo, hoje irei falar do Marilyn Manson.
Uma das primeiras vezes que o vi foi na Mtv, com o clipe Tainted Love. Acho que já o conhecia antes, mas a primeira vez que parei pra ter alguma idéia dele foi essa, lembro-me bem. E não foi algo positivo: em minha mente, se encontrasse um homem desses na rua eu sairia correndo com medo, tinha ojeriza a ele.
Só que tem coisas que a gente vai entendendo quando cresce. Conheci uma pessoa extremamente importante na net que era fã do Manson, era estranho (mas não, ele não era "dark"), e passamos muito tempo no mIRC conversando. Ele veio antes de quase tudo em minha vida e passou como um feixe de luz, porém deixando marcas. Até hoje trocamos e-mails, embora uma vez por semestre... Bem, ele foi um forte contribuinte para me fazer enxergar o Manson e, consequentemente, sair da análise superficial, embora isso não tenha acontecido na época em que eu falava com ele, nela eu cheguei a, no máximo, gostar do som.
Depois de tantos fracassos adolescentes, do florescimento de uma depressão sempre presente, desde criança, pude entender as frustrações do Manson. O que ele sente e como isso se reflete em sua aparência: ele se transformou numa obra de arte. A aceitação do Manson na sociedade é a mesma que a da Arte Moderna. Quantas pessoas têm ou teriam um quadro com a imagem de um pote de cocô em casa? Mas, então, pra quê termos um quadro lindo de uma paisagem do campo se hoje em dia o que mais fazemos é destruir isso?
A mensagem a se passar por Manson é a de que "mais vale a realidade do que uma ilusão hipócrita". Poucos se preocupam realmente com isso, pois é muito incômodo, e menos ainda conseguem aceitar essa realidade... Preferem enganar-se. Eu participo de uma comunidade de amigos no orkut, a qual um deles teve a idéia de marcar para irmos a um hospital público infantil para fazerem doações e animarem as crianças. Muitos comentaram: "Pô, cara, valeu mesmo, estou orgulhoso, é uma idéia excelente", blábláblá. BLÁBLÁBLÁ. Da idéia, não saiu prática alguma. Mas encontros para beber por aí, sai, ô, se sai. Esse sai e rapidinho! E sem tantos discursos pomposos quanto o primeiro.
O mundo não é uma coisa boa e quem disser que é, é porque não presta igualmente ou não sabe o que diz. E o Manson é tão bom sensitivo nesse aspecto que não consegue viver aqui em paz, se perturba com tudo de ruim que acontece, como pessoas machucando as outras, se matando... matando a natureza, os animais. Assim como os vírus, só destruindo. E eu ouço tudo que ele sente nas músicas dele que, muitas vezes, não têm letras do tipo: "ohhh, genial", mas a energia que emana, a melodia que sai das suas cordas vocálicas, seu timbre... Me faz amá-lo incondicionalmente.
Alex Band e Marilyn Manson não têm nada em comum. Teve uma vez que o Alex disse o que faria, quando o perguntaram sobre a hipótese de ele ser o Manson: "Eu choraria muito...". Nessa hora eu tive raiva dele por ser tão tapado. Mas tudo bem, ninguém é perfeito... principalmente o Alex. Eu não sei explicar o porquê de eu também amá-lo como pessoa, além do fato de ele ser lindo (ter uma voz maravilhosa faz parte do meu amor como cantor, rs). Só sei que não é só a beleza, pois, não seja por isso, de beleza estamos bem servidos na mídia. Alex foi minha pré-adolescência, então deve ser por isso. Ou porque alguma parte de mim é bem "normalzinha", pouco reflexiva, do povão... Vai saber. Só sei que ele era o único homem tapado com o qual eu aceitaria conviver (ô, se aceitaria!). Mas o Manson tem o tipo de personalidade que me faz apaixonar. Cada pessoa que tem esse raciocínio, é amada por mim. Mesmo hoje eu estando mais "light" com a vida, não significa que eu ache isso aqui bom, mas também não significa que eu não possa ser feliz, o tanto que é permitido ser sem fugir da realidade aqui.
Mais do que nunca eu me convenço de que estamos aqui porque devemos algo, somos incompetentes e tudo mais. Eu aceito viver aqui para aprender o que devo, é algo ruim, mas necessário, talvez. E o Manson agora cresceu junto comigo, está menos agressivo, odiando menos a humanidade e a si principalmente, se perdoando por ser humano. Pois é, afinal, em nenhum momento aqui eu disse que ele critica a humanidade e se acha superior, muito pelo contrário! E isso é muito importante, porque mania de grandeza/superioridade é uma coisa horrível que ele não tem, nunca teve. E ele, com a companhia da mulher que está agora (nem sei o nome, irrelevante), mudou o que eu mudei com os ensinamentos do Aikido: uma perturbação auto-destrutiva. Era o que eu creio que faltava mudar nele, embora, no caso, tenha um "dedo" influente nisso. De qualquer forma, só espero que, caso o que ele esteja vivenciando tinha fim, ele não volte a ser o que era, muito menos piore. Espero que a evolução dele tenha sido algo independente de um ser humano, que o aprendizado tenha chegado até ele e que a pessoa foi apenas um meio de adquiri-lo.
De qualquer forma, amo a maneira como ele é forte, amo sua sensibilidade, amo-o e amo qualquer um que o ame também, desde que o entenda. É como uma analogia ao que um amigo meu disse: "uma pessoa que gosta de anime não pode ser má", então o mesmo eu digo em relação ao Manson. Mas se o amar sem o entender... ai eu odeio um ser desses, por o amará por motivos contrários ao meu. E não adianta tentar enganar, porque quando uma pessoa entende, eu sinto antes mesmo de ela dizer, é como uma telepatia indestrutível.