terça-feira, 13 de maio de 2008

A curiosidade de viver evita o sofrimento prolongado.

Quando tinha meus 12 anos, sonhava com alguém que gostasse de mim (e, naturalmente, eu também gostasse desse alguém), que nosso primeiro encontro fosse mágico e que daria origem a um futuro perfeito. Só que, com o passar dos anos, fui freqüentando lugares “teens” e vi que não é bem assim que funciona o jogo da vida, de forma impecável – muito pelo contrário. Também não há escapatória como ao escrever uma redação de vestibular, que fazemos o borrão e depois passamos a limpo – tudo (eu disse tudo) que somos hoje, devemos ao nosso passado.

Beijos vieram, beijos se foram e eu aprendi que se beija sim apenas por simples vontade ou até mesmo por tédio, ou quem sabe por pena. Faz-se até mais além do beijo. Aprendi que as pessoas não têm total culpa do que se tornam – às vezes, seu passado influencia de uma maneira quase irreversível. Basta ler “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, para que entenda isso. A lição é passada de uma maneira simples e completa, é genial.

É, desiste de viver quem não tem forças (para isso temos o velho ditado: “a vida é dura para quem é mole”) e quem não controla seus sentimentos tende a se afrontar à vida, dando murro em parede (lei da ação e reação, simples assim). Já passei pelos dois casos, até chegar aonde cheguei (falando assim até parece, mas não é que eu tenha chegado no topo - quem chega? - ou que não tenha pequenas recaídas – a vida é um eterno aprendizado) e posso dizer que grande parte do que me tornei como pessoa devo ao Aikido, arte marcial da minha vida (na verdade é bem mais que isso, mas é tudo o que digo por hoje).

O fato é: até onde devemos julgar as pessoas? Até onde elas são o que são por querer? Não acredito que uma pessoa goste de sofrer enquanto sabe que pode mudar – quem vê a oportunidade de mudar, muda. Mas não basta a oportunidade estar na frente das pessoas (porque ela sempre está), ela tem que, de fato, tocar nos seus corações, pois, se não toca, não se vê nada a sua frente. Ninguém muda às cegas ou tomando a visão do outro emprestada.

A humanidade tem, portanto, encarado a vida como uma criança com baixo desempenho escolar (proveniente não só do ambiente escolar, mas também dos pais, vale ressaltar) encara os estudos: preguiçosa e desinteressadamente, fugindo, ignorando ou fazendo o mínimo exigido e de qualquer jeito. A verdade é que poucos pensam que são suas atitudes que provocam o “sofrimento de viver”. Ora, as coisas têm o sabor que as damos. Voltando ao exemplo da criança: se ela tende a ter mais facilidade com português do que com matemática, provavelmente é porque ela se identifica mais com o método de ensino do seu professor da língua portuguesa ou, simplesmente, de uma forma ou de outra, se concentrou mais ao estudar o português. Ou seja: aquilo que desgostamos é geralmente desconhecido para nós. Meu pai costumava a dizer: “estude mais a matéria que você não gosta”... Hoje eu o entendo, ele queria que eu estudasse até o ponto de passar a gostar da tal matéria (que, sinceramente, nem me recordo qual era, na época). Isso porque existem dificuldades que não podemos evitar de sofrer, elas simplesmente existem e devemos dominá-las, ao invés de deixar que elas nos domine e que nos cause mais sofrimento.

Não podemos agir às cegas, fazendo burradas por fazer. Devemos fazer cada gesto nosso valer a pena. Como muitos jovens iniciantes nos points teens, eu tive grandes dúvidas em relação ao amor quando passei a freqüentar esses lugares, mas hoje eu entendo (embora não aceite) muitos comportamentos cometidos pelas pessoas, como, por exemplo, o fato de que quem ama pode trair – isso acontece por falta de maturidade. E é por causa desse estilo de vida "deixa a vida me levar" que discorri ao longo do texto, que muitos relacionamentos, em geral, não dão certo: como conseqüência, o mundo está cada vez mais intolerante, e isso é horrível. O objeto material está tomando o valor do homem – as pessoas preferem amar as coisas e usar as pessoas por achar menos complicado, afinal, as coisas não nos decepcionam, não é? Está tudo invertido! E haja dor nos corações dos medrosos que têm essa filosofia como escape, dos que acabam aderindo à massa por medo de sofrer, como se desacreditar no amor e, vale adicionar, no respeito não fosse um sofrimento por si só. É preciso mudar o pensamento geral, fazer uma grande mudança espíritual e vestir um estilo de vida com mentalidade menos perturbada, mais feliz e saudável. Enquanto isso não acontece (se é que isso virá a acontecer um dia com a maioria da população), cada um que cuide de si e salve-se quem puder ou quiser salvar ou ser salvo, um por um, não é?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Por que é tão complicado ser feliz?

Assisti dia desses o filme “À Procura da Felicidade” e a primeira idéia que me veio em mente foi que, na verdade, ele deveria se chamar “À Procura da Estabilidade Financeira”, pois a felicidade já está na alma de Chris Gardner (Will Smith) e de Christopher (Jaden Smith), que são os personagens principais. Há uma a contradição que, para mim, o autor gera ao ignorar que a felicidade está em nós mesmos, em nossa alma, em nosso espírito e que isso reflete em nosso comportamento, já que ele desconsidera essas questões quando não as incluem nos requisitos da Felicidade, que é o que, segundo o título, falta aos personagens. Mas nem por isso deixa de ser um excelente filme: é mostrado muito bem como devemos lidar diante das aflições. Por dar muita manga às situações dramáticas, a mensagem que o autor quis passar parece ser a de que mesmo sofrendo financeiramente, mantendo o esforço e a honestidade conseguiremos superar o sufoco. É válida, porém, na minha opinião, bem menos profunda.

Comecei este post falando desse filme porque ele me inspirou a discutir esse tema. Com todo o sofrimento, pai e filho procuravam se entender, situação que pouco existe no mundo. Cada um de nós está preso aos problemas e acaba esquecendo os bons sentimentos (gratidão, amizade, enfim, amor) que deve-se cultivar para o próximo, pois essas atitudes tendem a voltar-se para nós. É verdade que a vida não dá mole para ninguém, mas, se retribuirmos sua dureza, daremos murro na parede... Creio que isso não seja o mais sábio a se fazer. Pois é, pode não parecer, mas o amor cura tudo. Ao contrário do que dizem, ele não é o “ponto fraco” do homem e sim sua fortaleza espiritual: estando munido dele, ninguém poderá machucá-lo.

Lógico que sua opinião pode variar de acordo com o seu conceito de amor. Não falo de qualquer um, mas do amor mais puro, aquele de ensinamentos de Jesus (hey, não pare por aqui! O que falarei a seguir é independentemente de crenças, dele ter sido ou não quem a história diz que foi, ok? Até porque não tenho religião), que tanto custei a entender... tem um que é algo como: “se te baterem na cara, vire o outro lado”. Pode parecer estúpido, mas, definitivamente, não é. Fiquei pensando há um tempo e acabei associando isso a um acontecimento que ouvi naquelas conversas de família: há algumas décadas atrás *lol*, minha avó costumava bater em seus filhos, mas quem se cansava e parecia que havia levado uma surra era ela mesma. Na hora me perguntei o porquê disso e depois, juntamente a outros detalhes a respeito dos atores da história, acabei concluindo que seria porque ela estava com maus sentimentos em seu peito e liberava tudo aquilo nas crianças; essas estavam tão acostumadas que não se doíam com suas surras. Ou seja, se você está bem por dentro, não é a dor física que te deixará realmente mal (a não ser que seja extrema, né? Olha o bom senso! rs). Eles a amavam e o que ela fazia não mudava isso.

Enfim, além dos pensamentos infelizes de muitos de que o dinheiro é a mola do mundo e as doenças da alma são frescuras, outro é o de que para se conseguir ter uma vida sadia tem que haver sacrifício. Por exemplo, o estudo e o trabalho é imposto como um castigo. Por isso, quase ninguém estuda e muito menos trabalha por prazer. Isso porque as pessoas, no geral, não buscam outros sentidos nas suas atitudes além daqueles que a sociedade moralizadora determina. É ela que, calcada de preconceitos, transforma a vida nessa zona de angústias e frustrações. Bom seria se as pessoas tivessem mais caráter, se fossem mais moralistas e menos moralizadoras, respeitassem o espaço alheio... Esses estúpros de liberdades diminuiriam e enfim, se respiraria melhor.

Um dos reflexos dos perpetuadores disso são os pais. Cá entre nós, o que tem de pai mal-sucedido espiritualmente por ai não está no gibi. Estão cada vez mais frustrados com suas vidas modernas, e acabam impondo a quem puderem (ou seja, na maioria das vezes, sobra para os filhos), em maior ou menor escala, seu sonho que não foi alcançado. O problema é que suas frustrações foram geradas por suas próprias más escolhas passadas e que, de forma alguma, poderão ser consertadas noutras vidas. Então, sem perceber, eles acabam tornando o rumo dos filhos igualmente frustrante... E geram um ciclo vicioso, que transforma a vida numa penitência. Pra quem tem fé, uma crença religiosa (cega), até que dá para suportar viver dessa forma, sendo por um bem maior, que é sua fé no salvador, ou seja lá em quem... Mas e quem não tem? Por que terá que suportar tamanha angústia?

Creio que não há outra maneira de se atingir a felicidade sem perder a consciência (os religiosos acéfalos que me perdoem, rs), se não for descobrindo a paz espiritual, o amor puro, ou seja, a fortaleza. Daí em diante, nosso caminho é traçado pela vida, pois já se tem uma base, um chão. Quando conseguimos isso, ficamos felizes com a vida e conosco e ficamos invulneráveis, ninguém poderá mudar tal sentimento – ao contrário, somos nós quem procuraremos mudar os maus sentimentos dos demais (obviamente, sem ser do modo moralizador), procurando ajudá-los.