Caminhamos na imperfeição e no desmantelo, alguns em busca de melhorias, outros de ilusões e há ainda os que simplesmente caminham, complementando esse Fluxo Imperfeito da existência.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Sobre o discursinho de estudiosos intelectuais e, de preferência, acadêmicos.
Se cada especialista pegasse um assunto específico, para começar, bastaria soltar o som, droga. Eles deveriam falar algo que possa surtir efeitos posteriores, de repente. Seilá, dar resultado. Acho hipocrisia esse cultivo do 'blablablá', esse serviço de agitador de torcida... Por isso não faço discurso gratuito e nem pretendo fazer (ao menos não dessa forma estúpida), principalmente quando "tirar minhas fraudas". Não sei bem, mas acho mais hipócrita ainda se eles se restringem a isso, ou seja, se eles restringem suas atitudes a esses 'blablablá's.
É lamentável.
Fazia tempo que eu não vinha aqui, mas deu vontade de postar esse texto que eu ia por no fotolog, aproveitando as eleições...
sábado, 26 de julho de 2008
Um aprendizado para ser compartilhado...

Ontem assisti o filme Beleza Americana de novo... A primeira vez foi numa época muito conturbada, época essa que não lembro de muita coisa, MUITA mesmo. Inclusive, de um filme tão bom... Eu não lembrei nem o que tinha pensado dele. Estava realmente a caminho da loucura, então não me espantaria se sequer não o tivesse entendido.
Bom, o que me chamou mais atenção foi esse casal... Pareceu-me o modelo "perfeito" de relacionamento e fez-me ver como tenho sido "tolerância zero" (talvez eu tenha me "achado" muito para chegar a tanto). O jeito de Ricky é atraente aos olhos de Jane e mesmo depois de ele se tornar amigo do seu pai, pessoa detestável, ela não o descarta. Não que eu, no lugar dela, acabasse descartando... Mas ficaria pensando coisas como: "Por que Ricky gosta do meu pai? Ele é horrível, ridículo, eu jamais me aproximaria e blablabla", ou até mesmo: "Meu pai me faz mal e Ricky ainda assim é amigo dele, logo, ele não liga pra mim, tanto faz quem me faz mal!", e não o deixaria livre até que ele, no mínimo, me desse uma explicação convincente para que eu aceitasse tal relacionamento (o dele com o meu pai, no caso). No filme, a gente vê que os motivos que faz Jane desgostar do pai são os em relação à ausência do seu comportamento de pai, mas nada tão grave, logo, não teria sentido se Ricky o julgasse por esse mesmo motivo, certo? Sim... Afinal, ele já tem outro pai para desgostar e Jane também não toma as dores de Ricky totalmente para si. Assim é a vida. E isso não é egoísmo, é individualidade.
E eis a prova de que um relacionamento não enxe vazio de ninguém: quem não tem estrutura, não sabe amar. Nunca aparecerá o "companheiro ideal" ou "a pessoa que o vê neste mundo", já que grande parte das pessoas que se sentem solitárias e buscam desesperadamente um companheiro, na verdade, querem é registrar sua vivência no mundo e, para isso, precisam dormir e acordar todo dia sabendo que alguém está preocupado com o que ela pensa, sente e faz durante 24 horas. Não podemos nos relacionar com "anjos da guarda", os céus não permitiriam. Isto é, se é que eles existem realmente.
Tem um comentário de Contardo Calligaris sobre esse filme, que diz que fazer um enredo criticando estilos de vida é fácil, difícil é mostrar o estilo de vida "certo" ou "ideal"... Ele não está errado, mas não acho o filme ruim por isso, muito pelo contrário: abre portas para mudanças em muitas pessoas, como para mim, em muitos sentidos (o desse casal foi apenas um dos). Talvez não seja possível mostrar o estilo de vida perfeito, justamente porque ele não existe... Mas sabendo dos erros cometidos por nós mesmos e pelo próximo e evitando a repetição deles, talvez nós possamos evitar esses erros, ainda que erremos de todo jeito, mas será de maneiras diferentes, ou, por que não? Acertarmos.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Parte de nada.
Hoje voltei da minha aula do Aikido pensando nuns acontecimentos um pouco recentes, que foram vindo mais e mais pra perto do presente. Descobri que deve ter algo errado comigo. Eu não consigo pertencer a meio algum... Sempre fujo, sempre desaponto, às vezes porque me sufoco ou porque enjôo; sinto saudades e repudio ao mesmo tempo.
Fiquei pensando no que poderia me causar isso... necessitade de preservar minha individualidade? Mas por que eu a sentiria escapar de minhas mãos por simplesmente estar num meio onde cada um tem sua individualidade também? Hm... Seria então uma sensação de estar me bitolando? O mundo inteiro seria cansativo pra mim se eu o pudesse explorar? Não sei, talvez seja essa questão que minha alma peça, inquieta, por resposta... Mas eu não posso fazer essa busca. Porque não tenho condições financeiras? Bom, acho que isso não é desculpa, prefiro dizer que é porque não tenho coragem o suficiente.
De qualquer maneira, ao mesmo tempo em que não faço parte de algo por meu íntimo me levar a repelir esse "algo" quando estou prestes a fazer parte, sinto necessidade de ser aceitada, amada, lembrada... Sinto necessidade de compartilhar momentos com pessoas importantes pra mim, que também me ache importante pra elas. Mas quem vai achar uma estranha importante? Eu acho estranhos muito importantes... tem algo errado comigo? Será que, na realidade, eu tenho medo é de fazer parte de algo e uso essa de 'não consigo' pra fugir desse medo? Mas se eu realmente não consigo... Meio que até não quero... Mas eu quero... E agora? Como posso resolver esses sentimentos? Não sei... Ainda não sei, talvez mais tarde eu descubra, talvez não. Talvez eles nem possam ser resolvidos, pois são só rumos diferentes que se toma na vida e eu sou puxada e igualmente repelida pelos dois, então preciso escolher a dor que terei que levar.
É, porque escolher pelo lado bom é mais complicado. É ótimo ser lembrada, amada etc... e é ótimo explorar o mundo (nunca o fiz, mas eu SEI que é, assim como sei que ter uma banda é o máximo, principalmente quando ela faz sucesso mundial - oh, isso tem a ver com explorar o mundo, não?). Mas é horrível a sensação de solidão que dá, assim como a monotonia de uma vida estável. Pensando bem, talvez escolher pelo lado ruim também seja terrível.
Que confusão!
Isso me lembrou de umas palavras do psicanalista Contardo Calligaris:
"O que me interessa é a vida, é a intensidade das experiências, boas e ruins. Se tiver que curtir uma dor porque morreu meu pai, ou meu cachorro, ou me separei de alguém que eu amava, é para chorar mesmo, e chorar é legal, faz parte de sentir a experiência."
Vendo por esse lado, talvez esses meus sentimentos possam se harmonizar. Contardo é casado e aventureiro. Ele é amado, lembrado e não tem fronteiras. Hm... interessante. A escritora Mayra Dias Gomes é outro exemplo, embora eu sei que às vezes ela se sente só e abandonada pelo mundo, se sente... Pequena. Acho que é tudo questão de mentalidade. Afinal, se Contardo faz isso real, então é. Mas isso tudo parece tão longe de mim...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Um sentimento pouco compreendido.
Como tinha prometido a um amigo, hoje irei falar do Marilyn Manson.
Uma das primeiras vezes que o vi foi na Mtv, com o clipe Tainted Love. Acho que já o conhecia antes, mas a primeira vez que parei pra ter alguma idéia dele foi essa, lembro-me bem. E não foi algo positivo: em minha mente, se encontrasse um homem desses na rua eu sairia correndo com medo, tinha ojeriza a ele.
Só que tem coisas que a gente vai entendendo quando cresce. Conheci uma pessoa extremamente importante na net que era fã do Manson, era estranho (mas não, ele não era "dark"), e passamos muito tempo no mIRC conversando. Ele veio antes de quase tudo em minha vida e passou como um feixe de luz, porém deixando marcas. Até hoje trocamos e-mails, embora uma vez por semestre... Bem, ele foi um forte contribuinte para me fazer enxergar o Manson e, consequentemente, sair da análise superficial, embora isso não tenha acontecido na época em que eu falava com ele, nela eu cheguei a, no máximo, gostar do som.
Depois de tantos fracassos adolescentes, do florescimento de uma depressão sempre presente, desde criança, pude entender as frustrações do Manson. O que ele sente e como isso se reflete em sua aparência: ele se transformou numa obra de arte. A aceitação do Manson na sociedade é a mesma que a da Arte Moderna. Quantas pessoas têm ou teriam um quadro com a imagem de um pote de cocô em casa? Mas, então, pra quê termos um quadro lindo de uma paisagem do campo se hoje em dia o que mais fazemos é destruir isso?
A mensagem a se passar por Manson é a de que "mais vale a realidade do que uma ilusão hipócrita". Poucos se preocupam realmente com isso, pois é muito incômodo, e menos ainda conseguem aceitar essa realidade... Preferem enganar-se. Eu participo de uma comunidade de amigos no orkut, a qual um deles teve a idéia de marcar para irmos a um hospital público infantil para fazerem doações e animarem as crianças. Muitos comentaram: "Pô, cara, valeu mesmo, estou orgulhoso, é uma idéia excelente", blábláblá. BLÁBLÁBLÁ. Da idéia, não saiu prática alguma. Mas encontros para beber por aí, sai, ô, se sai. Esse sai e rapidinho! E sem tantos discursos pomposos quanto o primeiro.
O mundo não é uma coisa boa e quem disser que é, é porque não presta igualmente ou não sabe o que diz. E o Manson é tão bom sensitivo nesse aspecto que não consegue viver aqui em paz, se perturba com tudo de ruim que acontece, como pessoas machucando as outras, se matando... matando a natureza, os animais. Assim como os vírus, só destruindo. E eu ouço tudo que ele sente nas músicas dele que, muitas vezes, não têm letras do tipo: "ohhh, genial", mas a energia que emana, a melodia que sai das suas cordas vocálicas, seu timbre... Me faz amá-lo incondicionalmente.
Alex Band e Marilyn Manson não têm nada em comum. Teve uma vez que o Alex disse o que faria, quando o perguntaram sobre a hipótese de ele ser o Manson: "Eu choraria muito...". Nessa hora eu tive raiva dele por ser tão tapado. Mas tudo bem, ninguém é perfeito... principalmente o Alex. Eu não sei explicar o porquê de eu também amá-lo como pessoa, além do fato de ele ser lindo (ter uma voz maravilhosa faz parte do meu amor como cantor, rs). Só sei que não é só a beleza, pois, não seja por isso, de beleza estamos bem servidos na mídia. Alex foi minha pré-adolescência, então deve ser por isso. Ou porque alguma parte de mim é bem "normalzinha", pouco reflexiva, do povão... Vai saber. Só sei que ele era o único homem tapado com o qual eu aceitaria conviver (ô, se aceitaria!). Mas o Manson tem o tipo de personalidade que me faz apaixonar. Cada pessoa que tem esse raciocínio, é amada por mim. Mesmo hoje eu estando mais "light" com a vida, não significa que eu ache isso aqui bom, mas também não significa que eu não possa ser feliz, o tanto que é permitido ser sem fugir da realidade aqui.
Mais do que nunca eu me convenço de que estamos aqui porque devemos algo, somos incompetentes e tudo mais. Eu aceito viver aqui para aprender o que devo, é algo ruim, mas necessário, talvez. E o Manson agora cresceu junto comigo, está menos agressivo, odiando menos a humanidade e a si principalmente, se perdoando por ser humano. Pois é, afinal, em nenhum momento aqui eu disse que ele critica a humanidade e se acha superior, muito pelo contrário! E isso é muito importante, porque mania de grandeza/superioridade é uma coisa horrível que ele não tem, nunca teve. E ele, com a companhia da mulher que está agora (nem sei o nome, irrelevante), mudou o que eu mudei com os ensinamentos do Aikido: uma perturbação auto-destrutiva. Era o que eu creio que faltava mudar nele, embora, no caso, tenha um "dedo" influente nisso. De qualquer forma, só espero que, caso o que ele esteja vivenciando tinha fim, ele não volte a ser o que era, muito menos piore. Espero que a evolução dele tenha sido algo independente de um ser humano, que o aprendizado tenha chegado até ele e que a pessoa foi apenas um meio de adquiri-lo.
De qualquer forma, amo a maneira como ele é forte, amo sua sensibilidade, amo-o e amo qualquer um que o ame também, desde que o entenda. É como uma analogia ao que um amigo meu disse: "uma pessoa que gosta de anime não pode ser má", então o mesmo eu digo em relação ao Manson. Mas se o amar sem o entender... ai eu odeio um ser desses, por o amará por motivos contrários ao meu. E não adianta tentar enganar, porque quando uma pessoa entende, eu sinto antes mesmo de ela dizer, é como uma telepatia indestrutível.