Hoje voltei da minha aula do Aikido pensando nuns acontecimentos um pouco recentes, que foram vindo mais e mais pra perto do presente. Descobri que deve ter algo errado comigo. Eu não consigo pertencer a meio algum... Sempre fujo, sempre desaponto, às vezes porque me sufoco ou porque enjôo; sinto saudades e repudio ao mesmo tempo.
Fiquei pensando no que poderia me causar isso... necessitade de preservar minha individualidade? Mas por que eu a sentiria escapar de minhas mãos por simplesmente estar num meio onde cada um tem sua individualidade também? Hm... Seria então uma sensação de estar me bitolando? O mundo inteiro seria cansativo pra mim se eu o pudesse explorar? Não sei, talvez seja essa questão que minha alma peça, inquieta, por resposta... Mas eu não posso fazer essa busca. Porque não tenho condições financeiras? Bom, acho que isso não é desculpa, prefiro dizer que é porque não tenho coragem o suficiente.
De qualquer maneira, ao mesmo tempo em que não faço parte de algo por meu íntimo me levar a repelir esse "algo" quando estou prestes a fazer parte, sinto necessidade de ser aceitada, amada, lembrada... Sinto necessidade de compartilhar momentos com pessoas importantes pra mim, que também me ache importante pra elas. Mas quem vai achar uma estranha importante? Eu acho estranhos muito importantes... tem algo errado comigo? Será que, na realidade, eu tenho medo é de fazer parte de algo e uso essa de 'não consigo' pra fugir desse medo? Mas se eu realmente não consigo... Meio que até não quero... Mas eu quero... E agora? Como posso resolver esses sentimentos? Não sei... Ainda não sei, talvez mais tarde eu descubra, talvez não. Talvez eles nem possam ser resolvidos, pois são só rumos diferentes que se toma na vida e eu sou puxada e igualmente repelida pelos dois, então preciso escolher a dor que terei que levar.
É, porque escolher pelo lado bom é mais complicado. É ótimo ser lembrada, amada etc... e é ótimo explorar o mundo (nunca o fiz, mas eu SEI que é, assim como sei que ter uma banda é o máximo, principalmente quando ela faz sucesso mundial - oh, isso tem a ver com explorar o mundo, não?). Mas é horrível a sensação de solidão que dá, assim como a monotonia de uma vida estável. Pensando bem, talvez escolher pelo lado ruim também seja terrível.
Que confusão!
Isso me lembrou de umas palavras do psicanalista Contardo Calligaris:
"O que me interessa é a vida, é a intensidade das experiências, boas e ruins. Se tiver que curtir uma dor porque morreu meu pai, ou meu cachorro, ou me separei de alguém que eu amava, é para chorar mesmo, e chorar é legal, faz parte de sentir a experiência."
Vendo por esse lado, talvez esses meus sentimentos possam se harmonizar. Contardo é casado e aventureiro. Ele é amado, lembrado e não tem fronteiras. Hm... interessante. A escritora Mayra Dias Gomes é outro exemplo, embora eu sei que às vezes ela se sente só e abandonada pelo mundo, se sente... Pequena. Acho que é tudo questão de mentalidade. Afinal, se Contardo faz isso real, então é. Mas isso tudo parece tão longe de mim...